"Ajusto-me a mim, não ao mundo." (Anais Nin)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que querem os homens?


Atenção meninos, a mulherada quer saber: afinal, o que vocês querem de nós! Estou realizando uma pesquisa sobre relacionamentos com o máximo de homens que puder encontrar, sendo a única exigência que tenham mais de 18 anos.

A pesquisa é composta de 30 perguntas, divididas em três partes: o flerte, a ficada e o namoro (sorry, moças casadas, vocês serão as próximas). Daqui a um mês, publicarei os resultados!

Meninas. se vocês conhecem algum cara hetero, disposto a responder, deixe aqui seu e-mail! E bora descobrir o grande mistério da vidas: por quê ele não ligou no dia seguinte?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Big Beautiful People


Eu luto contra alguns tipos de preconceitos desde muito jovem. E é reconfortante notar que, com o passar dos anos, ser racista e homofóbico é sinônimo de ser babaca e socialmente evitado. Pelo menos nos círculos mais esclarecidos que são, felizmente, cada vez maiores. Pensem o que quiserem, vocês não tem o direito de manifestar sua opinião agressiva e desumana sob pena de incorrerem em crimes inafiançáveis ou amargar uma indenização civil. Bem feito e eu acho pouco!

Mas existe um tipo de preconceito tão absurdamente enraizado e inexplicavelmente aceito e declarado: a crueldade com as pessoas acima do peso. Criticar gordos é ok. Afinal, eles são gordos porque querem, porque não se cuidam. Sempre que em piadas, séries, filmes e novelas, uma mulher é retratada como feia ou inconveniente, ela é gorda.

Recentemente, as notícias no Blog Mulherão vem me enchendo de pesar. Ao lado de todos os avanços de moda, beleza e comportamento, volta e meia o ódio contra os gordinhos aparece. Da atriz GG com o namorado bonitão que desperta um "acho muito difícil uma pessoa que está com tudo em cima se apaixonar por uma pessoa tão gorda" ao consultor de Rh que ouve dos empresários “Gordo tem problema de autoestima, gordo é estressado. Eu não gosto e não quero trabalhar com gordo aqui na minha empresa”.

Então, só pra dizer o óbvio a todo mundo que acredita em padrão Photoshop de beleza: pessoas gordas são exatamente como todas as outras do mundo. Alguns são belos, outros não. Alguns se cuidam, se amam, são comprometidos, qualificados e saudáveis e outros são estressados, irritáveis, mal humorados e depressivos. Ou tudo isso misturado. O dia que alguém fizer uma correlação entre características físicas externas e personalidade de forma CIENTIFICAMENTE comprovada, eu boto minha viola no saco e saio dessa vida. Até lá, qualquer generalização, é preconceito e babaquice puros.

Se você não gosta de gordos, mude-se pra Somália pois hoje a população brasileira é composta de quase 50% de pessoas acima do peso. Se você não acha gordinhos atraentes, simplesmente não namore um ou uma. De resto, não se julgue no direito de saber o que vai no íntimo de cada ser humano que cruza sua frente. Os fatores que definem o corpo de uma pessoa são genéticos, ambientais e comportamentais. E até onde eu sei, não existe fórmula de emagrecimento NENHUMA que consiga abordar todos esses aspectos.

Eu vou lutar pra que todas as pessoas com opiniões ofensivas sobre aparência, etnia, orientação sexual ou classe social tenham vergonha delas e seja obrigadas a proferi-las na solidão do banheiro trancado. E se você é uma pessoa GG, sabe muito bem que tem quem gosta e muito...

Fica a dica.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Da série Burning Guys: Michael C. Hall


Seja como o filho modelo e gay David Fisher de Six feet Under ou como o serial killer de bom coração, o fato é que o Michael C. Hall é um dos homens mais sexies da TV.

Carinha de bom moço contido, mas com um lado negro que pode emergir a qualquer momento, essa combinação é a mais hot que existe.

Afinal, quem gosta de homem 100% canalha, aventureiro ou metido a machão é adolescente ou mulher sem um pingo de maturidade. Qualquer pessoa com alguma auto-estima sabe que bom mesmo é ser bem tratada e ter alguém em quem confiar nos momentos de crise.

Moço "bonzinho" por outro lado, mata a gente de tédio e desperta sentimentos de irmãozinho. Homem tem que ser sério, mas oferecer um certo risco, algo de imprevisto e dominador.

E isso pra não mencionar o belo corpo, a carinha de malvado, a barba sempre por fazer e a boca rasgada.

Michael C. me desperta tudo isso, e por essa razão vem encabeçando a lista dos Burning Guys. Afinal, tirando a parte dos corpos mutilados, quem não tem mulherzinha feelings quando vê o Dexter sendo o cara mais fofo do universo pra Rita e as crianças?














segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A ballad of John and Yoko


Sempre me fascinou o romance de John Lennon e Yoko Ono. Claro que, como Beatlemaníaca que sou, prefiro atribuir o fim da banda à má influência que ela exerceu sobre Lennon a acreditar num súbito desgaste na parceria de mais de dez anos entre ele e Paul.

Questões musicais à parte, o que levou um homem considerado genial, popular, famoso e rico a declarar que ele e a garota feia, medíocre e sem graça eram "um só"? Que força mágica (ou trágica) fez com que o mito deixasse a maior banda da história pra unir-se à amada, que tinha um talento musical obviamente ordinário, num projeto que levava não o seu nome, não o nome de Eric Clapton ou Ringo Star, que também participaram, mas o dela: a Plastic Ono Band?

Amor, para os mais românticos. Obsessão, para os mais amargos. Eu fico com uma "combinação" dos dois: paixão, daquelas fulminantes. Do tipo adolescente, que faz você querer fazer declarações públicas de afeto, largar tudo, colocar fotos conjuntas no avatar do MSN, casar com três meses de namoro e ter 18 filhos. Aquela, que os cientistas afirmam ter o mesmo efeitos do uso de drogas. É, mas a gente sabe que paixão assim não dura quase 15 anos. Em regra, acaba rapidinho, deixando uma sensação de vergonha lá no fundo. Ou, termina para um dos dois, davastando o outro no processo.

Como John não pode opinar e a Yoko... Bem, quem se importa com o que ela diz? Resta-nos fazer conjecturas. E a minha é que a paixão avassaladora dos dois sobreviveu à convivência devido a uma imensa comunhão de interesses e sentimentos. No começo da relação eles tinham tesão em fazer disco e fotos pelados (oh céus, como esquecer aquelas bundas flácidas?). Depois, foi a campanha contra a Guerra no Vietnã, mais fotos pelados, mais discos, uma separação e Sean.

Talvez o segredo do amor eterno seja abraçar as causas do parceiro a ponto de torná-las suas. Ou assumir a postura de companheiros, amigos, amantes no melhor estilo "nós contra o mundo". Mas acima de tudo, impedir que fatores externos abalem os sentimentos de um pelo outro. Não importa se esse mundo é o dos fãs e dos Beatles, dos amigos, da sogra, do chefe ou da gostosa do escritório. Talvez... Ou talvez, amores assim, como a genialidade, a riqueza ou a fama, não aconteçam pra todo mundo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

To Sir, with love...

"Um professor afeta uma eternidade. Nunca se pode dizer quando sua influência termina." Henry Brooks Adams

A todos os professores, que sabem que ensinar é uma atividade que não pode ser executada sem a alma, só de corpo presente. Que entendem são esperados infalíveis, mas não se intimidam. Que dão o melhor de si pra adquirir e aperfeiçoar os conhecimentos que transmitirão. Que, a despeito de saber terem uma profissão mal remunerada, mal prestigiada e mal reconhecida, tem no progresso e no carinho dos alunos a maior recompensa.

Quanto a mim, só posso dizer que aprendi mais que ensinei, que rejuvenesço dez anos quando piso numa sala de aula e que me sinto honrada cada vez que um aluno meu me diz que fiz alguma diferença, por mínima que seja, em sua vida.

Aos meus alunos: vocês fazem minha vida melhor! E a todos os mestres de todas as áreas: FELIZ DIA DO PROFESSOR!

Glee, com "To Sir, with love", pra fazer chorar...



"Ao mestre, com carinho"

Aqueles dias de estudante
De contar mentiras
E roar unhas, se foram
Mas na minha mente
Sei que continuarão vivos para sempre
Mas como agradecer alguém
Que te levou do giz de cera aos perfumes
Não é fácil, mas tentarei

Se você quisesse o céu, eu escreveria nele com letras
Que estariam há mil milhas de altura:
Ao mestre, com carinho!

O tempo chegou
De fechar os livros
E os longos últimos olhares tem que acabar
Enquanto eu vou embora
Sei que estou deixando meu melhor amigo
Um amigo que me ensinou a diferença entre certo e o errado
E o forte e o fraco
E isso é muito pra aprender
O que posso te dar em troca?

Se você quisesse a lua, eu tentaria te dar as estrelas
Mas eu prefiro te dar meu coração
Ao mestre, com carinho..."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Colírio Nerd no Desamélias

Venho orgulhosamente divulgar a homenagem num um blog de mulheres lindas, inteligentes e de muito bom gosto, o Desamélias. O blog é uma delícia, feito sob medida pra pessoas nada ordinárias. Entrem, divirtam-se e vejam por si mesmos as ilustres companheiras que me atribuiram como Plus Size, Plus Sexy. Pra quem sabe o que é bom...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ah, look at all the lonely people...

Tem gente que nasceu pra ser sozinho. E não digo isso com a amargura daqueles que acabaram de tomar um pé na bunda. Mesmo por que, num mundo imperfeito, de pessoas imperfeitas como o nosso, acreditar que vai passar a vida toda sem ser traído, magoado ou humilhado, é insanidade. Ou arrogância. Mas no fundo, todas as pessoas que estão berrando aos quatro ventos que nunca mais amarão na vida, esperam lá no fundinho que isso não seja verdade, que o grande amor apareça e faça isso tudo virar uma triste lembrança.

Todas, menos os membros do Clube da Autossuficiência. É, pois existe uma categoria de pessoas pra quem o desgaste de um relacionamento não compensa a parte boa. Pessoas com dificuldade em se comprometer ou que, embora tentem com afinco, tem problemas em ceder, ainda que um pouco, em suas convicções, vontades ou crenças em prol do parceiro. Ou da relação.

Egoístas? Problemáticos? Ora, se no vastíssimo mundo das peculiaridades humanas tem espaço pra pessoas que cometem as piores atrocidades, por quê tamanha preocupação com quem não acha que precisa encontrar uma metade pra ser feliz? Ser sozinho num mundo feito para pessoas juntas é um bocado complicado. É como se você abrisse um precedente pra que todas as pessoas se intrometam na sua vida. Os pais se preocupam, os conhecidos tentam te juntar com alguém, os amigos casados ficam com pena, os solteiros te incluem no grupo do "estou louco por um grande amor" e estranhos dizem "Ah, um dia você encontra sua metade".

Não, muito obrigada. Sou uma pessoa inteira e completa, que aprecia ter as rédeas da minha vida nas mãos, que defende a independência e que acha que a única razão pela qual duas pesssoas devam viver juntas é se elas conseguirem proporcionar felicidade recíproca. Sim, eu sei que todo relacionamento passa por momentos bons e ruins. Mas qual o sentido de estar numa relação se ela é mais sofrida que vivida? Quantas e quantas pessoas eu encontro diariamente pra quem o parceiro é fonte de dissabores, mágoas, brigas, agressões, cobranças e até, solidão? Do pior tipo, pois ser sozinho e livre tem suas vantagens. Ser sozinho acompanhado, não.

Eu expulsaria o grande amor se ele aparecesse? Provavelmente não. Pessoas sós, embora não gostem de ouvir falar de pessoas juntinhas, sabem amar. Elas apenas não consideram relacionamentos amorosos o aspecto primordial da vida e pensam que, pra valer a pena abrir mão de parte de si mesmo, é preciso uma relação de respeito e troca mútuos. E com uma grande dose de independência entre os parceiros.

Não, eu não preciso de "alguém". Eu preciso de água, oxigênio e alguns nutrientes. Eu preciso de amigos, da minha família, do meu trabalho, da minha saúde. Se um dia alguém aparecer, alguém que faça meu coração se sentir leve e meu corpo, em casa, esse alguém será bem vindo pra compartilhar minhas alegrias e meus dramas. E trazer os dele, pra que eu os divida também. Até lá e se, o prazer de agradar apenas a mim mesma (no limite da civilidade) ainda é o maior que posso ter.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Something Old, Something New...

Eu falava com alguns amigos sobre desapego. Esse negócio de doar roupas que não são usadas há mais de um certo tempo ou queimar cartas antigas. Enfim, aplicar na prática aquele chavão de auto-ajuda sobre eliminar o que não serve mais para que as coisas boas possam entrar.
Isso fica muito mais complexo no que diz respeito a sentimentos. Desapegar-se de situações emocionais destruídas, abandonar mágoas carregadas por anos como uma bagagem extremamente pesada e desajeitada, parar de tentar consertar o relacionamento quebrado, estes sim, verdadeiros desafios. O tal do deixar ir... Eu olho em volta e vejo pessoas que saem de uma situação pra outra com naturalidade. Pessoas que encerram seus capítulos, fecham seus livros e fazem daquela história apenas isso: algo a ser recordado. Outras, categoria na qual eu infelizmente me incluo, passam pelas situações e deixam pedaços grandes de si pra trás. E trazem souvenires enormes, caros e inúteis na bagagem.
Pra mim, nada mais doloroso do que finais. Eu posso estar totalmente desligada da situação, da coisa ou da pessoa, mas é só me dizerem que não posso mais ter aquilo, e a ansiedade sobe a níveis altíssimos e eu quero me apegar, manter a qualquer preço. Injusto e nada saudável.
Hoje sei, porém, que não posso ser livre se estou ancorada em velhos padrões, velhas relações, velhos hábitos. E liberdade ainda é algo que eu desejo mais do que qualquer outra coisa. Apreciar minha companhia, olhar pra dentro de mim e ver que sou uma pessoa completa e que qualquer vivência que eu tenha vai ser por amor, por alegria, por vontade... Nunca por medo, posse ou obrigação. Desse jeito a vida não te quebra. E sem esse monte de malas, a gente pode caminhar mais livremente e com mais segurança.
Eu estou rompendo e encerrando tudo e o que quer que seja que me doa. Oficialmente, cortando as amarras. Já derramei lágrimas por uma vida pelos mesmos e tediosos motivos. Agora eu quero o novo, agarrar as boas oportunidades que surgirem sem dó. Algumas perdas vão machucar mais que outras. Mas no final,nada fará falta. O que for mantido, será clássico, atemporal, pra vida toda. Amado e bem vindo como uma boa música velha.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Protagonista



Texto Publicado na Revista Ideia - Edição de Novembro de 2009

No filme “O amor não tira férias”, Arthur Abbot, um renomado e idoso roteirista de cinema diz a Íris, quando esta lhe confessa seus problemas amorosos: “Nos filmes, nós temos a protagonista e a melhor amiga. Você, eu posso dizer, é a protagonista, mas por alguma razão, vem se comportando como a melhor amiga.” Metáforas cinematográficas à parte, o fato é que muitas mulheres lindas, fortes e inteligentes acabam por se desmancharem por causa de amores não (ou mal) correspondidos.
Num mundo que cultua a beleza, a juventude e as relações superficiais, a insegurança e o medo da solidão acabam por criar uma legião de mulheres que, consciente ou inconscientemente levantam a bandeira do “antes mal acompanhada do que só”. E acabam por sofrerem relacionamentos que causam dor e ciúme. Anulam as próprias vontades e desejos pra viverem os do parceiro. Tentam, de qualquer forma se adaptarem a padrões impossíveis de comportamento pra não perderem a pessoa amada. E não vêem que não apenas elas, mas todos as estão perdendo.

Os homens sempre gostarão de mulheres belas com pouca roupa. É uma dessas leias imutáveis da natureza. Eles farão comentários idiotas, virarão o pescoço e ficarão sorrindo (e se comportando) de forma boba quando uma delas usar o charme em sua direção. Eles serão frios com alguma freqüência, especialmente quando estiverem preocupados com questões financeiras ou profissionais. Eles tentarão parecer mais desejados do que são, pra provarem o próprio valor. E mais cedo ou mais tarde, trocarão suas parceiras pelos amigos, pelo futebol ou pela cerveja.
Mas no fundo, todo homem reconhece uma boa mulher, especialmente na própria. Existe o companheirismo que só a intimidade traz, os colos e os cuidados. No pódio, acima de todas as outras, estão a mulher amiga, a que é a boa mãe pros seus filhos, a batalhadora. Aquela que arrasa na elegância, que é ótima cozinheira ou anfitriã. A que trabalha duro e tem uma carreira promissora. A mulher que ajeita o cabelo e o colarinho do seu amado antes que ele saia de casa. E uma vez que ela tenha consciência de seu próprio valor, o verá sempre refletido no olhar de seu companheiro.

No entanto, se a questão ultrapassa os problemas da rotina e o flerte se transforma em caso, a distração em indiferença e os modos crus em grosseria, é preciso ser coerente com si mesma e os próprios sentimentos. Nenhuma separação, por mais dolorosa que seja pode ser pior do que viver se violando e aos próprios valores.

O fato é que, seja para ficar ou pra ir, mulheres devem ser protagonistas da própria vida. Conhecer e respeitar as suas qualidades, defeitos e limites a fim de que nenhum homem, mocinho ou bandido, lhes tire a capacidade de brilhar nas telas do seu próprio filme.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A garota da Capa



Texto publicado na Revista Ideia - Edição de Setembro

Nada no mundo é mais irritante do que ler revista de dieta. A mulher deslumbrante da capa, num infalível biquíni de lacinho, fazendo cometários do tipo eu-como-o-que-gosto-e-não-engordo ou sou-uma-garota-comum-viciada-em-chocolate. Sim, parte de você sabe que não tem nada de comum ou de “gente como a gente” numa mulher que malha com um personal fantástico seis vezes por semana, dorme 12 horas por noite e tem um séquito de maquiadores e cabeleleiros profissionais pra cada foto que ela fizer. Mas ainda assim, lá no fundinho, dói. Naquela parte de nós, mortais, que vive de gelatina diet, faz caminhada de moletom amarrado na cintura, come chocolate por ter brigado com o marido, os filhos, o chefe, o porteiro, que paga financiamento e tem plena consciência que fica parecendo um sorvete de casquinha numa calça skinny, dói.

Mulher que se preza jamais se contenta em ser inteligente, profissional de sucesso, boa mãe, amante sexy, amiga do peito. Em algum lugar do nosso subconsciente, nós queremos ser divas... e magras! A Mulher-Melancia pelada pode vender horrores, mas a gente acha que ela é gorda. Nós suspiramos por perna finas, quadris de meninos de oito anos, braço com cinturinha e saboneteiras visíveis.

Então, ainda que tenhamos uma relação de amor e ódio com a garota da capa (Viu, ela está com os braços pra cima! Aposto que tem barriga!), nós devoramos as tais revistas em busca da solução que alivie nosso martírio e que nos permita sentar sem sentir as banhas da barriga dobrando no cós da calça. Chá branco, verde, vermelho, pimenta, fibras, dois litros de água por dia, alcachofra, sete ervas, semente de linhaça, arroz integral... Vai tudo pro carrinho! A gente paga seis meses de academia, faz duas aulas de spinning e uma semana de quatro apoios e o resultado: 300 gramas a mais na balança!

O fato é que pra quem não nasceu Ana Hickmann, resta trocar a cerveja por água, a picanha por salada com limão e o doce por suspiros de saudade, pra encarar ao menos um biquíni grandão com alguma dignidade. Mas uma ajuda é sempre muito bem vinda!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Confessions of a drama queen


Eu confesso, eu sou dramática. No mundo fantástico da minha imaginação até a situação mais corriqueira tem trilha sonora, uma frase de efeito e um figurino marcante. Pra ficar num único exemplo, desde criança eu sonho em ser cantora. Tá, todo mundo sonha em ser cantora. Mas eu não apenas cantava com o shampoo de microfone no chuveiro. Eu criava mentalmente clipes que envolviam lágrimas escuras de maquiagem correndo pelo rosto, vestidos brancos esvoaçando numa pré tempestade ou botas de vinil e corselets. Uma mistura de Alice Cooper, Amy Lee (antes mesmo que a moça existisse!) e Kate Bush.

Saindo do plano das idéias, essa tendência me faz bagunçar meu coreto. Porque meus relacionamentos tem que ser intensos. Meus amores, eternos. Minhas brigas são dignas de cinema e minhas inimizades dariam uma novela mexicana. Cada dia tem que ser vivido com tanta intensidade que das duas uma: ou fico exausta de tanto drama ou me entendio até o fim quando "nada" acontece.

Sou daquelas pessoas que terminam uma discussão sobre música com um "e nunca, nunca mais fale comigo novamente!" mais dezenas de lágrimas grossas, o guardanapo jogado sobre a mesa e uma saída triunfal do restaurante deixando a pobre da outra pessoa atônita se pergutando onde estão as câmeras. No quesito crise de ciúmes, a Maria Elena da Penelope Cruz fica no chinelo!

Mas eu também sou capaz de dar o abraço de reencoontro mais gostoso do mundo quando estou com saudades. Posso preparar um jantar romântico de fazer inveja aos dos filmes de Meg Ryan e fazer todos os grandes gestos que se espera de uma pessoa que sente com intensidade. Eu sou o tipo de garota de manda flores, escreve cartas de amor de 10 metros, leva doces pra alegrar um dia azedo... Eu pego estrada pra dar um beijo em quem eu amo, eu saio correndo pra estar ao lado de uma amiga em crise.

Eu sou uma Drama Queen. Eu choro o tempo todo, eu rio alto, eu canto em público. Eu acho que vou morrer de dor de cotovelo e tenho crises de amor. Talvez viver comigo seja uma montanha russa emocional. Talvez seja suícidio mental. Se você gosta de segurança e discrição, saia correndo! Mas se escolher ficar, eu prometo que em algum momento, você vai achar que está vivendo num filme...

domingo, 12 de abril de 2009

Over blushed


Era uma sexta-feira à noite e eu parei numa loja de conveniência lotada pra pegar uma latinha. Na volta pro estacionamento, escontrei um grupo de amigos e parei para dizer um oi. Enquanto isso, um carro parava ao meu lado, e enquanto o motorista desceu pra comprar algo, a mocinha no banco do passageiro abriu o espelho do quebra-luz, pegou um estojinho na bolsa, sacou um pincel gigantesco e começou a retocar furiosamente o blush. A cara dela, que já estava parecendo a de alguém que acabou de fazer uma corrida, ficou igual a quando somos pequenas e vamos participar de uma festa junina: duas bolas cor-de-rosa no meio da bochecha, faltando só as pintinhas pretas pra completar!

Eu não tenho pretensão de ser expert em maquiagem e muito menos de entender o que acontece na cabeça das adolescentes de hoje. Mas quando eu tinha 18 anos, precisava de um rímel e um batom pra ficar fantástica. Hoje, quase balzaca, eu preciso de base, pós, iluminador, sombra, lápis, gloss... e blush! Mas depois disso, eu ainda fico parecendo comigo mesma. Melhorada, mas ainda eu!

Eu não acho que o rosto seja uma tela branca pra você criar por cima. Maquiagem existe pra valorizar nossos pontos fortes. Faz a NOSSA boca parecer mais cheia, NOSSOS olhos mais expressivos, realçam o formato do NOSSO rosto. Se não tem nada por baixo, make over nenhuma vai fazer você ficar bonita.

Existe um visual atualmente que faz você não saber se uma mulher tem 15 ou 40 anos. Todas têm o cabelo chapado, com o mesmo corte. A pele alaranjada de bronzemento artificial, o corpo esculpido na academia, os mesmo sapatos, a mesma roupa, a mesma maquiagem carregada e os mesmos óculos gigantes. Quando eu vejo uma menina vestida assim, como uma jovem senhora, tenho vontade de gritar com ela.

Gritar que um dia ela vai sentir falta dessa pele, desse cabelo, dessa fé na vida e na possibilidade de ficar maravilhosa de jeans, tênis e camiseta. E cara lavada...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sessão nostalgia 1...


Saudades imensas de quando:

1) Eu conseguia conversar com minhas amigas com tanta frequência que dava pra explicar detalhes de como foi que eu encontrei o moço que eu gosto na padaria e ele elogiou minhas havaianas, incluindo o que ele estava vestindo, o que eu estava vestindo, as características do sorriso do rapaz e um monte de divagações do tipo "o que será que isso significa?".

2) Acordar com um telefonema de madrugada significava que um(a) amigo(a) bêbado resolveu te chamar pra uma festa e não que uma coisa horrível aconteceu.

3) Minhas ressacas homéricas duravam só até eu comer um Big Mac e tomar um copo de Coca-Cola.

4) Um Big Mac e uma Coca-Cola não me dava nenhum ressaca moral.

5) Eu saía pra dançar a noite inteira da salto agulha de 10 centímetros e só sentia dor no finzinho da festa.

6) Perder o show do Kiss pra trabalhar seria considerado um crime inafiançável!

7) Meu maior problema depois de uma noite mal-dormida era chegar na aula em tempo de responder a chamada.

8) Ficar de mau-humor era coisa que só acontecia na TPM.

9) Eu tinha quatro meses de férias por ano!

10) Lágrimas eram coisas que se curavam com uma rodada de cerveja com as meninas.

domingo, 22 de março de 2009

Sisterhood



Sei que espera-se que alguém que se disponha a fazer crítica de cinema escreva sobre grandes produções ou sobre projetos cults, tipo filmes iranianos com nome de frutas. Mas eu gosto de filmes que me fazem feliz. Sou cinéfila e como diz um amigo, levo cinema muito a sério. Não sou do tipo que namora no escurinho e fico realmente estressada quando alguém resolve conversar na sala. Sou craque em mímica de filme! Então, currículo apresentado, não me venham torcer o nariz pro filme "adolescente" que eu vou indicar!

Eu peguei "Quatro amigas e um jeans viajante" pra ver há uns dois anos porque era um filme com a Alexis Bledel, a Rory de Gilmore Girls. Além disso, como eu disse, adoro filmes suaves, que me dão aquela sensação de paz no final. Estava esperando por isso, um filme sobre adolescentes com um final feliz do tipo todos dançando igual na festa de formatura. Mas o filme é bem mais que isso.



Quatro amigas (e se vocês leram meus posts sabem que isso é o que eu mais valorizo no mundo) encontram uma calça jeans que serve em todas. Um milagre considerando que uma das garotas é a fantástica America Ferrera (protagonista de Ugly Betty), e as outras três tem quadris de meninos de 8 anos. Enfim, separadas pela primeira vez durante as férias e cheias de problemas, elas fazem um rodízio com os jeans, enviando-os por Sedex uma à outra e coisas importantes acontecem enquanto elas os usam. Parece infantil, mas não é. O filme fala sobre perdas de uma forma tão sensível e realista que chega a doer. Mas o final traz conforto.



A continuação acabou de ser lançada e eu passei minha noite de sábado de pijama, debaixo das cobertas e assistindo-o. A garotas estão mais velhas, ainda mais lindas (America kick some asses!!!) e o filme ainda mais gostoso de ver. Recomendo praqueles que acreditam que podem ter irmãs ou irmãos de coração, que tem medo de se relacionar às vezes, que entende sobre insegurança, negação e gosta de pessoas bonitas que não se pareçam um pouco com gente de verdade.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

It´s my life


A vida é mesmo uma sacana. Quase nunca um momento difícil vem sozinho. As pessoas costumam perder o emprego, pegar o marido com a melhor amiga na cama, bater o carro e ficar doente na mesma semana. As felicidades por sua vez, vêm em doses homeopáticas. Você é promovido, mas está só. Se livra de um relacionamento ruim, mas todos seus amigos estão casados. Emagrece, mas não tem grana pra comprar roupa nova. A vida é feita basicamente de pequenos prazeres e grandes tragédias.

Feliz de quem tem fé e acredita que em algum lugar da eternidade haverá justiça pros sofredores. Eu costumava ser otimista de carteirinha e achar que tudo um dia sempre melhora. O amor da sua vida está escrito, seus filhos serão lindos e saudáveis, você terá uma vida longa e boa ao lado dos seus queridos. Mas o tempo passa e a coisa vai desmoronando ao seu redor e você percebe que passa a maior parte do tempo tentando manter a cabeça fora d´água.

Então eu concluí que, já que não tenho controle sobre as merdas que acontecem, devo dedicar meu tempo a viver os prazeres. Chega de auto-indulgência, chega de negligenciar os bons amigos porque a vontade de sumir debaixo das cobertas é maior. Os dias ruins não cessarão de acontecer. Dívidas chegam, amores te decepcionam, pessoas morrem... O grande desafio é estar aqui, vivendo o pequenino minuto do banho quente, da cerveja gelada.

Se der vontade de chorar, chore. Um dia de festa da auto-piedade é permitido de vez em quando. Pijama o dia todo, comida calórica, programas idiotas na TV, álcool, ligações indevidas... Mais que isso, é reconhecer a derrrota. É dizer pra Vida que ela ganhou, que você foi dobrado e irremediavelmente partido. Eu não quero ser a perdedora da vez. Eu levanto minha cabeça, passo um batom, olho bem na cara dela e digo pra que fique aí com seus dramas que eu quero mais é curtir minhas pequenas alegrias!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

True lies

As maiores mentiras contadas a uma mulher durante sua vida. E as grandes verdades por trás delas...


1) Revistas de beleza: andar com o cachorro, caminhar meia hora por dia, fazer cinco minutos de um exercício qualquer, subir escadas ao invés do elevador, e outros pequenos esforços cotidianos vão fazer você ter o corpo da gostosa do momento.
A verdade: você nunca vai ter o corpo da gostosa do momento. Pra ser digna de capa de revista e biquíni de lacinho branco você precisa de duas a três horas (no mínimo) de treino diário com um personal muito bom, uma cozinheira que segue exatinho o cardápio da sua nutricionista fodona, pelo menos duas plásticas, um maquiador maravilhoso, a iluminação certa e algum (ou muito) photoshop. Pra você, reles mortal, que trabalha, come, dorme, briga com o namorado, quer matar os filhos, fica um mês sem ver salão de beleza e paga financiamentos, uma hora de academia três vezes por semana vai, no máximo, te impedir de morrer do coração agora.

2) Homens: “Eu sei que a gente sempre sai junto e a Ju é meio louquinha. E nada a ver esse negócio de que ela dá em cima de mim. Ela abraça todo mundo daquele jeito. Claro que ela é meio sem noção, ela só tem 18 anos. E ela tem namorado, viu? E mesmo que não tivesse, eu juro, ela é como uma irmã pra mim. Eu não tenho o menor tesão nela!”
A verdade: ele comeu. Se ainda não comeu, vai comer. Na melhor das hipóteses, ele quer muito comer!

3) Sua mãe: Ela jura que ama todos os filhos igualmente. E não faz nenhuma diferença entre vocês...
A verdade: ela pode até amar todo mundo na mesma intensidade. Mas ela certamente sente muito mais orgulho daquele seu irmão que com 30 anos ganha rios de dinheiro, tem doutorado numa coisa difícil até de pronunciar, namora uma mulher que pesa 50 quilos e aparece uma vez a cada 40 dias pra comer o nhoque que ela passa horas preparando. Você, seu saldo negativo, seus quilinhos a mais e uma coleção de namorados canalhas, podem se contentar com as milhares de ligações diárias perguntando quando vai consertar sua vida e parar de dar preocupações a ela. Afinal, amor se demonstra de várias formas...

4) Propaganda de cerveja: Homens bonitões, cercados de gostosas num bar. Todo mundo bebendo e comemorando sei-lá-o-quê, felizes da vida!
A verdade: gostosas não bebem cerveja ou não seriam gostosas. Cerveja é pão líquido e dá barriga. Caras como os do comercial saem com outros caras como eles. Garotas normais bebem cerveja no máximo com as amigas ou o mala do escritório.




5) Comédia romântica: O relacionamento começa, a moça desastrada (linda, magra e jovial) comete um monte de gafes e ele se encanta pelo jeito simples (?!?!?!) de ser dela. Algo acontece no caminho, eles se separam, sofrem horrores. Um deles descobre que foi tudo um mal entendido, corre pra impedir que o outro pegue um barco/navio/trem/avião/patinete pra alguém lugar. Eles se beijam, casam, têm 18 filhos e vivem felizes para sempre.
A verdade: sua vida amorosa foi arruinada. O máximo que você vai ganhar de gesto grandioso é uma ligação de bêbado de madrugada. E vai passar a vida sonhando com alguém que diga algo bonito no microfone do aeroporto.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Top 10: moda

Hoje a crítica de moda sou eu. Segue meu "Top 10" de coisas sobre o assunto que eu gostaria de gritar às pessoas.



1) Sandálias de sola de acrílico é coisa de atriz pornô. Nada no mundo vai mudar isso. É feio e vulgar. Então, a não ser que você esteja querendo apimentar sua vida sexual pagando de Porn Star (entre quatro paredes, please!) ou seja a Pamela Anderson, não use isso em público.

2) Se você insiste em usar calça baixa com blusa curta mesmo que tenha pneu, mesmo que todos vejam sua calcinha ou seu cofrinho, mesmo que isso fique bom em raríssimas pessoas e em raríssimas ocasiões, ao menos depile o caminho da felicidade. Ninguém merece olhar barriga de mulher peluda!


3) Legging não é calça. Legging é roupa de ginástica ou uma coisa que faz as vezes de meia pra usar por baixo de saias, batas e vestidos. Se você está de legging e não está na academia, cubra a bunda.

4) Homem de regata na balada me faz querer sair correndo gritando “Meus olhos, meus olhos!!!”. Parabéns se você é braçudo, se tem uma tatoo legal ou passou as últimas dez horas treinando. Mostre na piscina, no churrasco da família ou pra sua namorada (ou namorado). Pra mim, não.

5) Franjinha não combina com todo mundo. Aliás, se você tem mais que 8 anos, as chances de combinar com você são mínimas. Se a Aline Moraes ficou feia, imagine reles mortais... Antes de virar vítima da moda, descubra se seu rosto, seu corpo e seu estilo admitem o corte.



6) Homens não podem ter necessaires maiores que as das mulheres. É uma dessas leis imutáveis da natureza. Mãos e pés bem tratados, cuidados com a pele do rosto e um bom corte de cabelo são atitudes muito sexy num moço. Mas fazer luzes no cabelo, bronzeamento artificial, tirar sobrancelha, depilar o corpo (e não ser atleta) ou levar mais que vinte minutos pra se arrumar fazem de você uma biba. Não importa qual seja sua orientação sexual.

7) A despeito dos padrões impostos, mulheres “tamanho G” podem ser lindas. Desde que não vistam como se usassem tamanho PP. Do contrário, vira “gorda escandalosa”, sabe o tipo? Blusa de alcinha colada, peitão balançando, calça baixa strech espremendo as banhas da barriga, tamanco de salto fino, cabelo pintado com cor berrante e muita maquiagem. Tudo chacoalhando, desproporcional e fora do lugar. Aí vem o discurso “eu não vou passar fome só porque existe uma pressão dos outros” ou “não me importo com o que as pessoas pensam”. Se fosse verdade, seria uma tremenda duma ótima atitude. Mas se sentir bonita é fundamental pra qualquer mulher, em qualquer cultura, em qualquer idade. E elegância cabe em qualquer tamanho de roupas. Se você não quer seguir padrões, então por que se submete a uma moda que não te favorece?




8) Uma camisa rosa num homem másculo é charmoso. Mas, se nem mulheres ficam bem parecendo um quarto de bebê (rosinha, lilasinho, azulzinho), por qual razão obscura um moço acha que vai ficar?

9) Homens ou mulheres mais velhos vestidos como adolescentes estão dizendo para o mundo que têm sérios problemas de ordem emocional. Envelhecer não é fácil. Mas ser velho pagando de garotão ou garotona é ridículo!




10) Se você não é magra ou tem quadris largos, uma calça skinny faz você parecer um sorvete de casquinha. Colocar uma faixa na cintura, se ela tiver mais de 60 centímetros vai fazer aparecer sua barrigona. Mesmo que você não tenha uma. O que deixa uma mulher gostosa não necessariamente favorece outras. É básico assim. Então deixe de ser uma pessoa sem personalidade e compre uma calça que realmente sirva em você – reta, boca de sino, corte de bota, cintura no lugar – e use blusas e acessórios que realmente valorizem os SEUS pontos fortes. Medir 1,80 e pesar 50 quilos faz de uma mulher um cabide. Cabides se adaptam a qualquer coisa. Você não.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Que bom filme você é?





Você é "O ódio" de Mathieu Kassovitz. Você é inconformado(a), revoltado. Vive se metendo em brigas, mas tem muita atitude.

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia




Alguém já assistiu?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

I won´t waste my hate on you...


Exceto naqueles casos realmente dramáticos, estilo novela mexicana, nos quais uma pessoa dedica sua vida a destruir a de outra pessoa, a maioria dos nossos gostos e desgostos em relação a outra pessoa não passam de desevenças diárias e choques de personalidade. Mas existe um tipo de inimizade muito revelador: quando odiamos alguém... Em algum momento da vida todos sentimos ódio de alguém ou somos alvo desse sentimento.

Eu tento não cultivar esse tipo de atitude. Entre as minhas comunidades do Orkut não existe nehuma "Eu odeio..." e raras vezes "Eu amo...". Apenas porque tento evitar propagar coisas ruins e detesto a banalização do amor. Mas estava esses dias pensando no que nos faz criar inimigos de forma tão arraigada no nosso dia-a-dia. Não estamos em guerra, ninguém roubou nosso bebê ou nos mandou para prisão injustamente por 17 anos... Então, por quê odiar alguém?

Conclui que sentimos ódio por orgulho. O alvo é sempre alguém que tem (ou pensamos que tem) algo que achamos que nos pertence por direito. Nem sempre é racional e raramente é consciente. Mas sempre nos sentimos agredidos por quem está na posse de algo que, não apenas queríamos pra nós (ou seria apenas inveja), mas nos sentimos no pleno direito de ter. Pode ser um emprego, um homem ou mulher desejados, uma casa, carro ou aparência. Uma condição ou estilo de vida...

O fato é que a pessoa odiada nos expõe de forma dolorida às nossas próprias fraquezas. Já me senti assim. Já me entristeci quando não agradei todo mundo. E felizmente, hoje eu estou em plena lua-de-mel comigo mesma, defeitos e qualidades. E se desperto algum tipo de sentimento negativo, sei que a animosidade é a melhor forma de lisonja. Se incomodei, é que estou no caminho certo. E quem me odeia que trate de descobrir os próprios pontos fortes. Pois eu não vou desperdiçar meu ódio com ninguém...

domingo, 3 de agosto de 2008

Cão de guarda


Ela não chegou pra nós filhote, pequena e fofa. Veio grande, maltratada e decepcionada com a vida. Diante da mão estendida pro afago, ela se encolhia e tremia, esperando pelo castigo. Com o tempo ela aprendeu a confiar. Entendeu que era amada. E retribuiu esse amor como eu nunca tinha visto nenhum cão fazer antes. Ela é do tamanho de um bezerro. Mas pensava que era pequena: queria, colo, pulava pra lamber o rosto da gente... E me deixava cheia de roxos e arranhões. É carente, depois que aprende a gostar, lambe o cotovelo de quem está sentado e coloca a cabeça debaixo da mão da qual ela quer o carinho. Ela toma café comigo, vinha pedir o seu pedaço de queijo todos os dias. Não gosta de ração, é preciso disfarçar com um pouco de comida. E é só ver alguém de tênis que ela começa a chorar desesperada pedindo pra sair pra passear. E quando vai, é aquela festa! Ela sai latindo e correndo como se quisesse contar pra todo mundo que está fora de casa.

Durante dez anos ela esteve ao meu lado, me protegendo, me fazendo companhia e cuidando de mim. Há algum tempo, ela começou a mancar. A veterinária disse que poderia ser um tumor ou algo relacionado à idade. Há dois dias ela teve uma fratura patológica: a patinha se quebrou sem nenhuma razão. Fomos ao hospital e lá soubemos que ela tem cancêr nos ossos. O médico me deu a opção de amputar a pata e fazer quimio ou sacrificá-la pois a fratura não tem cura. Eu me recusei a fazer a primeira pois acho que é um sofrimento enorme para uma sobrevida de no máximo um ano. Quanto à segunda opção, pode parecer banal pra muitos, mas eu não consigo me forçar a tomar essa decisão. Sou incapaz de pensar que posso ser responsável por algo dessa monta.

Há dois dias estou tentando fazer a vida dela feliz. Ela fica deitada na caminha, aparentemente sem dor (está fortemente medicada), comendo muito todas as coisas das quais gosta. Eu olho pra ela e, mesmo com a perninha machucada, ela ainda fica feliz em me ver, em comer, em dormir. Abana o rabo, dá aquelas lambidas bem molhadas. Eu queria saber o que ela escolheria pra si. E eu queria que ela soubesse que o que quer que eu faça é por amor, é pela felicidade dela. E mais do que tudo eu queria que, se for a hora dela, que ela se vá sem intervenções e sem dor.

PS: Nesse exato momento ela está latindo de volta pros cachorros da rua como sempre fez. Parece dizer "a casa é minha, estou aqui, tomem cuidado". Sim, ela ainda está aqui...